Este artigo descreve o comportamento termomecânico das ligas com memória de forma (SMAs) associado a transformações martensíticas. Após uma breve história das ligas com memória de forma (SMAs), são relembradas as propriedades termoelásticas destes materiais, são apresentados os vários campos de aplicação que comprovam a sua viabilidade económica e são detalhados os aspectos microestruturais da transformação martensítica. De seguida, foi desenvolvido um modelo micromecânico do comportamento destes materiais. Esta modelização, adaptada à escala em que a microestrutura é descrita e baseada numa descrição relativamente simples do mecanismo de transformação, permitiu ter em conta as interações intra e intergranulares na expressão do potencial termodinâmico estabelecido pela teoria de Gibbs, no formalismo das pequenas deformações. A heterogeneidade entre as duas fases foi negligenciada e o elemento básico da transformação é a deformação associada à formação de uma variante de martensite, cuja fração de volume representa a variável interna envolvida na definição do potencial. Finalmente, são discutidos os resultados numéricos obtidos.